Liberdade e Igualdade: Clubes Capazes

Partem em Maio daqui,

quando o sangue novo atiça:

parece-te que é justiça?

(Auto da Índia, Gil Vicente)

 

Rumamos ao Alentejo. Procurando por um modo adolescente e tão possível de se (re)aprender a fazer a escolha certa. Recriar o mundo, tornando-o num igualitário e inclusivo Clube Capaz. Na bagagem, levamos a missão de sensibilizar e capacitar jovens para a promoção da Igualdade de Género; por companhia, cerca de duas dezenas de cientistas sociais, decisores/as políticos/as e figuras públicas engajadas no combate ao machismo.

Entre 4 e 29 de maio, o Ciclo de Conferências Clubes Capazes marca a agenda feminista nacional, reunindo estudantes do ensino secundário e do ensino básico do 3º ciclo do Alentejo para quatro tertúlias moderadas por Rita Ferro Rodrigues. Durante 90 minutos, iremos refletir sobre Feminismo e Igualdade de Género em conjunto. Por que é que controlar o meu telemóvel é violência? Se as mulheres têm mais habilitações do que os homens, porque razão há tão poucas em lugares de chefia? A liderança tem género? Se não há sexismo na escola, por que é que a responsabilidade da turma é tantas vezes atribuída a um rapaz (mesmo quando há mais raparigas na turma)? Existem profissões de mulher e profissões de homem, coisas de rapariga e coisas de rapaz? Quem falta ao trabalho para ir comigo às consultas, a mãe ou o pai? O que é um “teto de vidro”? Ou isso do gap salarial? Então, o que são estereótipos de género e como podem condicionar a minha vida? Tenho que me definir como homem ou como mulher? Se somos iguais perante a Lei, o que posso fazer para combater a discriminação baseada na identidade sexual, identidade de género, características étnico-raciais, orientação sexual, religião, ser portador/a de deficiência, quanto à idade ou convicção política?

Os Clubes Capazes engrossam o portfólio da Capazes Associação Feminista com projetos que priorizam o público em idade escolar (visitem Capazes na escola),  com a novidade de termos em mãos o resultado da primeira candidatura da Capazes a um fundo comunitário – Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE), contando com a intermediação da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG). Para operacionalizar este périplo pelo Alentejo, contamos com a boleia da SEAT e apoio inesgotável das autarquias que nos recebem em maio: Odemira, Portalegre, Elvas e Ponte de Sor. E de Évora, que se guarda como palco do seminário final que encerra a ação (em outubro).

O caminho para a igualdade é longo. Se promover paridade de direitos e liberdades, igual acesso e oportunidades de participação, valorização, visibilidade, poder, em qualquer domínio da vida em sociedade (seja público ou privado) para muitas pessoas – cada vez mais – é uma obviedade, aprendemos, batendo às portas, que pode não ser um interesse e uma necessidade tão disseminados quanto esperaríamos. Ainda. Devolveram-nos silêncios longíssimos, nãos redondos, tentativas de desvalorização sistemática daquilo que fazemos. Descobrimos também que isto é capacitação, que a resiliência não abandona quem sabe pelo que vem. Por algumas vezes, encontraram-nos boquiabertas/os a Sul, espantadas/os perante o trabalho desenvolvido no terreno, junto às populações, com os parcos recursos do costume, um labor muitas vezes invisível e absolutamente transferível e exemplar em qualquer comunidade do país ou do mundo. Boas práticas partilhadas de quem entende a Igualdade de Género como incumbência de qualquer sujeito – sim, de rapazes e homens, também!; sim, das pessoas que não de identificam como masculino ou feminino, também! A justiça e a equidade seriam fins consubstanciais em si mesmos, mas a paz, a segurança, o desenvolvimento sustentável, a prosperidade económica e o progresso social tanto se beneficiam do investimento e da possibilidade de realização plena de mais de metade da população mundial. Afinal, este é um Clube sem perdedores. Todas e todos ganhamos.

Apareçam!

Se não conseguirem ir ao estádio, assistam via livestream.

Contamos contigo, um dia seremos o maior clube do mundo.

Coordenação,

Sílvia Lazary de Matos

 

 

Programa e Oradoras/es:

  • Estereótipos de Género | Odemira | 4 de maio | Cineteatro Camacho Costa
    • Miguel Vale de Almeida, antropólogo, professor do ISCTE, ativista LGBT
    • Ana Matos Pires, psiquiatra, cronista Capazes
    • Francisco Soares, KIKO YouTuber, ator
    • Deolinda Seno Luís, vereadora da C.M. de Odemira
  • Desigualdade económica e Género | Portalegre | 10 de maio | Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre
    • Sara Falcão Casaca, professora do ISEG, antiga presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género
    • Patrícia São João, investigadora do CIEG
    • Mariana Mortágua, economista, deputada do BE
    • Carla Baptista, diretora técnica do NAVVD Portalegre
    • João Baião, ator
  • Escola e Género | Elvas | 17 de maio | Auditório S. Mateus
    • Ângelo Fernandes, ativista, presidente da Quebrar o Silêncio
    • Olga Mariano, presidente da AMUCIP
    • Yolanda Tati, YouTuber e ativista feminista
    • Vitória Branco, vereadora da C.M. de Elvas
  • Violência no namoro | Ponte de Sor | 29 de maio | Teatro-Cinema de Ponte de Sor
    • Rosa Lopes Monteiro, secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade
    • Alexandra Gaio, gestora do gabinete APAV Alto Alentejo Oeste
    • Ana Teresa Sanganha, psicanalista, Associação Identidades e Afectos
    • Sérgia Bettencourt, vereadora da C.M. Ponte de Sor
    • Mariana Monteiro, atriz, porta-voz da associação Corações com Coroa para as temáticas da Juventude